O primeiro módulo do curso de Escrita Criativa (oferecido por mim na Escola Waldorf, em Ribeirão Preto) foi concluído na última quarta-feira (30/11). Como homenagem aos meus alunos, escrevi este texto, inspirado nas atividades propostas e no objetivo central do curso: despertar a capacidade de ver o mundo, para além da vista cansada que orienta nossa vida cotidiana.
Muito em breve, voltarei com a notícia sobre a edição do livro com os textos produzidos pelos alunos.
De tão longe eu avistei uma mesa quadrada. Acomodada em canto aberto de uma serena biblioteca, onde o sol reluz. Não foi através de uma janela que meus olhos sonharam o encontro noturno entre cavaleiros jovens e experientes para a conversa do engenho criativo. Foram meus olhos, livres de qualquer moldura, que descobriram a mesa, polida e envernizada, onde repousaram nossas janelas. Os livros fechados ao redor se calaram, obedientes ao toque da marcha, ouvindo cada sim ou não, o desenho da garrafa que o mar não trouxe, da família que chorou o pão amassado, da fêmea que matou o europeu, da rua enfeitiçada de cascalhos que abriu as portas da casa materna. Se este fosse um último poema ou a derradeira descrição, meus olhos se apagariam, gastos, desencantados por detrás da janela fechada. E se de longe eu avistei, foi por conhecer que as palavras formam rastros de arado em nossa alma e esses não se apagam jamais. Com os olhos acesos, seguiremos, pois somos contadores de histórias sob a chuva que cai repetida.

aprender com voce deve ser sensacional...
ResponderExcluirbjs
que seja o primeiro de muitos !
Também me faço em lembranças! Inesquecível lembrança de uma professora de literatura. Ela despertou em mim o interesse e prazer por poesias.
ResponderExcluirPor certo e da mesma forma quantos alunos teus serão discípulos num futuro próximo?
Nem todos herdarão esta tua facilidade, mas entre outras coisas as tuas aulas serão inesquecível!