27 junho, 2012

Anti-Kléos







Era o dia de Bloomsday. Seu mundo estava preso na garganta. Não saía do casco e pendia a cabeça por tamanha flacidez da vontade. Gritar o eco do sonho doía os rins, a barriga mal dormida, o apêndice que exalava o mesmo e contínuo crônico desejo de ver. Viver a vida até a borra. Tudo sonhar e tudo respirar. Mas a boca do inferno cospe sua lava maldita e desarma o empenho. O lance diurno de lavar-limpar-temperar-esperar já não dizia o andar contra a correnteza? O não de todas as horas e dos anos perdidos? Numerologia que sustenta e alenta, avisa a maior espera. 2012=5. E o ano dissolve, estraçalha a pedra do rim. Sim, andar o dia como a empurrar com as pernas a areia de todo pântano. Avançar enterrado num rio de borboletas mortas.

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