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Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

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Todos os textos são de autoria de Carolina Bernardes. A cópia não é autorizada e configura plágio. Tecnologia do Blogger.

28 setembro, 2012

A Odisseia de Nikos Kazantzakis



        
 
          Lançado em 22 de setembro de 2012, no Centro de Estudos Helênicos Areté (São Paulo), o livro A Odisseia de Nikos Kazantzákis: epopeia moderna do heroísmo trágico é o resultado de minha pesquisa de doutorado desenvolvida de 2006 a 2010 na UNESP- São José do Rio Preto (com apoio FAPESP e sob a orientação de Marcos Siscar).
         Apresentamos, a seguir, breves informações sobre a obra de Kazantzakis e sobre a pesquisa acerca dela.  O livro está disponível na Livraria Cultura.
         
 
          A Odisséia, de Nikos Kazantzakis, é o resultado de catorze anos ininterruptos de elaboração; sete vezes retomada e reescrita, chegando a totalizar mais de 42 mil versos - em uma das versões. O texto definitivo, publicado em 1938, conta com 33.333 versos de 17 sílabas poéticas divididos em 24 cantos. A dimensão da obra e a linguagem carregada de dialetos das aldeias locais e de neologismos, além das abundantes figuras poéticas, têm sido um desafio aos tradutores. As primeiras traduções, portanto, somente surgem com alguma demora: a versão em inglês de Kimon Friar de 1958; a francesa de Jacqueline Moatti, em 1968; e a castelhana de Miguel Castillo Didier, em 1975.
           O poema retoma o tema de Ulisses, tomando início no canto XXII, verso 477, da Odisséia de Homero, quando o herói acabara de exterminar os pretendentes de Penélope. A aparente continuação dos feitos do herói lendário, entretanto, reorienta o sentido do destino glorioso do herói clássico. Logo em seu primeiro encontro com a esposa, o filho e o pai, longe de sentir-se apaziguado pelo fim das atribulações do trajeto de retorno ao lar, o Ulisses kazantzakiano sente profundo desencanto, e sua ilha tão desejada torna-se a seus olhos estreita e asfixiante. Decide, então, partir novamente, com alguns poucos companheiros, sem rumo determinado. Se na primeira Odisséia o tema é a volta (nóstos), na Odisséia kazantzakiana há uma tentativa clara de superação da meta representada pela chegada à Ítaca. Como reavaliação moderna do herói de Homero, o herói de Kazantzakis mantém-se em marcha, ultrapassando suas próprias conquistas, visto que a chegada não manifesta nele o apaziguamento, e sim o desejo de ir além.
            O herói de Kazantzakis abandona família e pátria, retomando a navegação e aportando em diversas terras, onde participa de revoluções. Chegando às margens do rio Nilo, mantém-se em retiro ascético e vive todas as etapas da ascese, perfazendo um itinerário de superação do herói. Esse ideal de superação pela ascese já havia sido elaborado pelo autor anteriormente na obra Ascese, de 1927: sua consciência se eleva do Eu para a Raça, a Humanidade e a Terra (as expressões são as etapas de Ascese e se referem especificamente à base filosófica na qual o autor se ampara), em movimento de desapego e libertação, chegando a alcançar a visão de Deus, ainda não desmistificada nesta etapa do percurso, como uma chama que atravessa o Universo, julgando-se pronto para construir a cidade onde essa visão será guardada. Em seguida, o herói volta à ação para fundar sua Cidade Ideal que, entretanto, é destruída totalmente pela erupção de um vulcão logo após sua inauguração. O asceta peregrino segue, então, caminhando em direção ao sul da África. Seu espírito vai se liberando de esperanças, desejos, ilusões, alegrias e tristezas, perdendo a fé na virtude, na justiça e na própria vida. “Tendo Ulisses atingido a ‘Plena Liberdade’, tudo passa a ser sonho e o herói põe-se a brincar com sua vida e com seus dramas humanos” (FONSECA, 1989 p. 59)
             Tendo superado valores e dogmas, Ulisses entra em contato com personagens que simbolizam tendências e possíveis caminhos da humanidade: o príncipe Manayis, espécie de atormentado Hamlet; a prostituta Perla, que escolhe o caminho do amor; o Eremita, espécie de Fausto, insaciável sedento de conhecimentos; o Capitão Uno, sombra de Dom Quixote; o Hedonista; o Homem Primitivo; o Pescador negro, que predica uma religião nova, que virá a ser o cristianismo. O encontro com esses espíritos desperta em Ulisses a reavaliação e a superação das suas crenças, sem optar por nenhum dos caminhos apresentados por esses personagens. Ulisses segue navegando em direção ao extremo setentrional do oceano, chegando a terras geladas, onde colide com um iceberg e morre.
             A trajetória de Odisseu marca-se não só por uma extensa cadeia de perigos e pela incessante busca de um sentido que possa ser atribuído à existência, mas ainda por um exercício constante do movimento de superação, seja de conceitos ou de valores, incluindo-se a própria identidade pessoal. Tal superação, para Kazantzakis, é ininterrupta e a ela dá o nome de “ascese”. Para o autor, é preciso realizar um percurso de libertação dos preceitos impostos pela metafísica e pelo cristianismo, que são formadores do pensamento e influenciadores das atitudes do homem, impedindo-o de realizar suas próprias avaliações da realidade e ceifando seu poder criador. Kazantzakis tenta, pois, superar os valores pautados na supremacia cristã e platônica de um mundo além-morte, que negligenciam os instintos naturais do homem e desvalorizam a vida terrena, visão que se verifica abstratamente em seu texto híbrido Ascese Os Salvadores de Deus.
             Uma das leituras possíveis da Odisséia é constatar as diversas tensões que permeiam sua constituição temática e estrutural e aventar como elas oferecem elementos para a problematização da própria modernidade: a relação entre tradição e ruptura e entre superação e permanência do gênero épico. Articulando a análise textual do percurso de Odisseu e a construção “em processo” de sua identidade com as tensões que a obra suscita em seu contexto histórico-literário, pretendemos, inicialmente, avaliar a possível (e paradoxal) reabilitação do gênero épico em tempos modernos e a classificação da Odisséia como epopéia trágica inserida no contexto filosófico e teórico com o qual dialoga.
           A segunda parte deste trabalho procura reconhecer em Odisseu os traços do herói clássico e lendário, com base na área específica dos estudos gregos, perfazendo o itinerário empreendido por ele a partir da ruptura com Ítaca e o início da nova viagem para além do nóstos homérico. Interessa-nos elucidar a constituição da identidade de Odisseu, por meio das diversas etapas e episódios que protagoniza, no intuito de caracterizar a heroicidade particular deste personagem “entre mundos” e a sua importância na configuração da obra em sua integralidade. Assim, parece-nos que a escolha de Odisseu como personagem da epopéia moderna, não apenas recupera os dados da antiguidade literária, mas vive de sua tensão, na medida em que a reinterpreta à luz da história do século XX.
              A terceira parte concentra-se em todo o movimento de superação do herói empreendido após a ruptura com a pátria e com a própria Odisséia de Homero, itinerário que caracteriza a “segunda odisséia”. Voltaremos, assim, a articular a análise textual dos episódios da narrativa com a discussão teórica acerca do momento histórico, compreendido aqui como discurso de crise e decadência. Relacionando, pois, o percurso do herói com o momento histórico da modernidade e as linhas filosóficas que dão significado a essa árdua viagem e expressam a visão particular do autor sobre o contexto de crise, a análise prossegue atenta ao sentido de viagem que a Odisséia produz.
              O percurso de análise proposto para esta pesquisa inicia-se com a figura de Odisseu, herói afamado e desconhecido entre os familiares, que se lança ao anonimato da criação, e encerra igualmente com a mesma figura, no entanto, já não será o Odisseu herói, mas, simplesmente, o poeta afirmador da vida.
 
   

 
 
               
 
 

4 Comentaram. Deixe seu comentário também!:

Bruna Dalcin :: Comprando meu APÊ! disse...

Oi Carolina! Obrigada pela visita ao meu blog, seja bem-vinda!
Então, eu não te aconselharia piso vinilico em banheiro por ser um local de muita umidade, por mais q ele possa ser molhado, a cola não aguenta muita agua. E outra coisa, com desenho é pior ainda, pois ele vai saindo, afinal vc vai esfregar o banheiro, pisar toda hora... vai desgastando né... te aconselharia a colocar um piso frio mesmo!
Bjsss

Ronaldo disse...

eu gostaria de saber se A ODISSEIA DE NIKOS KAZANTZAKIS tem o texto integral ou é uma análise da obra, obrigado.

CAROLINA BERNARDES disse...

Ronaldo, este livro é minha tese de doutorado, que teve como objeto de estudo a Odisseia de Kazantzakis. Há alguns fragmentos da obra contidos no livro, como citações. Não temos esta obra em português ainda, mas uma excelente tradução para o espanhol. Obrigada pelo interesse. Abraço

PAULO TARCÍSIO DI NASSAO DI ORANJE DI ANTONI MIOTTI CAPPELLETTI ANDRETTI MICHELOTTO disse...

Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem!
AMEI!
Estou à procura de uma boa tradução para o Livro IV da Odisseia dele.

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LIVROS ESSENCIAIS

  • A Demanda do Santo Graal. (Anônimo)
  • A vida e as opiniões do cavalheiro Tristam Shandy. (Laurence Sterne)
  • Ascese. (Nikos Kazantzakis)
  • Cem anos de Solidão. (Gabriel Garcia Marquez)
  • Crime e Castigo. (Dostoiévski)
  • Folhas de Relva. (Walt Whitman)
  • Húmus. (Raul Brandão)
  • Judas, o Obscuro. (Thomas Hardy)
  • Mahabharata (Anônimo)
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
  • Narciso e Goldmund. (Hermann Hesse)
  • O casamento do Céu e do Inferno. (William Blake)
  • O homem que comprou a rua. (Tarcísio Pereira)
  • O Perfume. (Patrick Süskind)
  • Odisseia (Kazantzakis)
  • Odisseia. (Homero)
  • Os Cadernos de Malte Laurids Brigge. (Rainer Maria Rilke)
  • Peter Pan. (J. M. Barrie)
  • Poemas (Seferis)
  • Poemas Completos de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
  • Zorba, o grego. (Nikos Kazantzakis)

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