BUSCA

Quem sou eu

Minha foto
Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

Me encontre

MENU

Divulgue o blog!


Banner 120 x 60


Banner 150 x 90


Arquivo do blog

LEITORES

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Todos os textos são de autoria de Carolina Bernardes. A cópia não é autorizada e configura plágio. Tecnologia do Blogger.

28 setembro, 2012

A Odisseia de Nikos Kazantzakis



        
 
          Lançado em 22 de setembro de 2012, no Centro de Estudos Helênicos Areté (São Paulo), o livro A Odisseia de Nikos Kazantzákis: epopeia moderna do heroísmo trágico é o resultado de minha pesquisa de doutorado desenvolvida de 2006 a 2010 na UNESP- São José do Rio Preto (com apoio FAPESP e sob a orientação de Marcos Siscar).
         Apresentamos, a seguir, breves informações sobre a obra de Kazantzakis e sobre a pesquisa acerca dela.  O livro está disponível na Livraria Cultura.
         
 
          A Odisséia, de Nikos Kazantzakis, é o resultado de catorze anos ininterruptos de elaboração; sete vezes retomada e reescrita, chegando a totalizar mais de 42 mil versos - em uma das versões. O texto definitivo, publicado em 1938, conta com 33.333 versos de 17 sílabas poéticas divididos em 24 cantos. A dimensão da obra e a linguagem carregada de dialetos das aldeias locais e de neologismos, além das abundantes figuras poéticas, têm sido um desafio aos tradutores. As primeiras traduções, portanto, somente surgem com alguma demora: a versão em inglês de Kimon Friar de 1958; a francesa de Jacqueline Moatti, em 1968; e a castelhana de Miguel Castillo Didier, em 1975.
           O poema retoma o tema de Ulisses, tomando início no canto XXII, verso 477, da Odisséia de Homero, quando o herói acabara de exterminar os pretendentes de Penélope. A aparente continuação dos feitos do herói lendário, entretanto, reorienta o sentido do destino glorioso do herói clássico. Logo em seu primeiro encontro com a esposa, o filho e o pai, longe de sentir-se apaziguado pelo fim das atribulações do trajeto de retorno ao lar, o Ulisses kazantzakiano sente profundo desencanto, e sua ilha tão desejada torna-se a seus olhos estreita e asfixiante. Decide, então, partir novamente, com alguns poucos companheiros, sem rumo determinado. Se na primeira Odisséia o tema é a volta (nóstos), na Odisséia kazantzakiana há uma tentativa clara de superação da meta representada pela chegada à Ítaca. Como reavaliação moderna do herói de Homero, o herói de Kazantzakis mantém-se em marcha, ultrapassando suas próprias conquistas, visto que a chegada não manifesta nele o apaziguamento, e sim o desejo de ir além.
            O herói de Kazantzakis abandona família e pátria, retomando a navegação e aportando em diversas terras, onde participa de revoluções. Chegando às margens do rio Nilo, mantém-se em retiro ascético e vive todas as etapas da ascese, perfazendo um itinerário de superação do herói. Esse ideal de superação pela ascese já havia sido elaborado pelo autor anteriormente na obra Ascese, de 1927: sua consciência se eleva do Eu para a Raça, a Humanidade e a Terra (as expressões são as etapas de Ascese e se referem especificamente à base filosófica na qual o autor se ampara), em movimento de desapego e libertação, chegando a alcançar a visão de Deus, ainda não desmistificada nesta etapa do percurso, como uma chama que atravessa o Universo, julgando-se pronto para construir a cidade onde essa visão será guardada. Em seguida, o herói volta à ação para fundar sua Cidade Ideal que, entretanto, é destruída totalmente pela erupção de um vulcão logo após sua inauguração. O asceta peregrino segue, então, caminhando em direção ao sul da África. Seu espírito vai se liberando de esperanças, desejos, ilusões, alegrias e tristezas, perdendo a fé na virtude, na justiça e na própria vida. “Tendo Ulisses atingido a ‘Plena Liberdade’, tudo passa a ser sonho e o herói põe-se a brincar com sua vida e com seus dramas humanos” (FONSECA, 1989 p. 59)
             Tendo superado valores e dogmas, Ulisses entra em contato com personagens que simbolizam tendências e possíveis caminhos da humanidade: o príncipe Manayis, espécie de atormentado Hamlet; a prostituta Perla, que escolhe o caminho do amor; o Eremita, espécie de Fausto, insaciável sedento de conhecimentos; o Capitão Uno, sombra de Dom Quixote; o Hedonista; o Homem Primitivo; o Pescador negro, que predica uma religião nova, que virá a ser o cristianismo. O encontro com esses espíritos desperta em Ulisses a reavaliação e a superação das suas crenças, sem optar por nenhum dos caminhos apresentados por esses personagens. Ulisses segue navegando em direção ao extremo setentrional do oceano, chegando a terras geladas, onde colide com um iceberg e morre.
             A trajetória de Odisseu marca-se não só por uma extensa cadeia de perigos e pela incessante busca de um sentido que possa ser atribuído à existência, mas ainda por um exercício constante do movimento de superação, seja de conceitos ou de valores, incluindo-se a própria identidade pessoal. Tal superação, para Kazantzakis, é ininterrupta e a ela dá o nome de “ascese”. Para o autor, é preciso realizar um percurso de libertação dos preceitos impostos pela metafísica e pelo cristianismo, que são formadores do pensamento e influenciadores das atitudes do homem, impedindo-o de realizar suas próprias avaliações da realidade e ceifando seu poder criador. Kazantzakis tenta, pois, superar os valores pautados na supremacia cristã e platônica de um mundo além-morte, que negligenciam os instintos naturais do homem e desvalorizam a vida terrena, visão que se verifica abstratamente em seu texto híbrido Ascese Os Salvadores de Deus.
             Uma das leituras possíveis da Odisséia é constatar as diversas tensões que permeiam sua constituição temática e estrutural e aventar como elas oferecem elementos para a problematização da própria modernidade: a relação entre tradição e ruptura e entre superação e permanência do gênero épico. Articulando a análise textual do percurso de Odisseu e a construção “em processo” de sua identidade com as tensões que a obra suscita em seu contexto histórico-literário, pretendemos, inicialmente, avaliar a possível (e paradoxal) reabilitação do gênero épico em tempos modernos e a classificação da Odisséia como epopéia trágica inserida no contexto filosófico e teórico com o qual dialoga.
           A segunda parte deste trabalho procura reconhecer em Odisseu os traços do herói clássico e lendário, com base na área específica dos estudos gregos, perfazendo o itinerário empreendido por ele a partir da ruptura com Ítaca e o início da nova viagem para além do nóstos homérico. Interessa-nos elucidar a constituição da identidade de Odisseu, por meio das diversas etapas e episódios que protagoniza, no intuito de caracterizar a heroicidade particular deste personagem “entre mundos” e a sua importância na configuração da obra em sua integralidade. Assim, parece-nos que a escolha de Odisseu como personagem da epopéia moderna, não apenas recupera os dados da antiguidade literária, mas vive de sua tensão, na medida em que a reinterpreta à luz da história do século XX.
              A terceira parte concentra-se em todo o movimento de superação do herói empreendido após a ruptura com a pátria e com a própria Odisséia de Homero, itinerário que caracteriza a “segunda odisséia”. Voltaremos, assim, a articular a análise textual dos episódios da narrativa com a discussão teórica acerca do momento histórico, compreendido aqui como discurso de crise e decadência. Relacionando, pois, o percurso do herói com o momento histórico da modernidade e as linhas filosóficas que dão significado a essa árdua viagem e expressam a visão particular do autor sobre o contexto de crise, a análise prossegue atenta ao sentido de viagem que a Odisséia produz.
              O percurso de análise proposto para esta pesquisa inicia-se com a figura de Odisseu, herói afamado e desconhecido entre os familiares, que se lança ao anonimato da criação, e encerra igualmente com a mesma figura, no entanto, já não será o Odisseu herói, mas, simplesmente, o poeta afirmador da vida.
 
   

 
 
               
 
 
LER TODO O ARTIGO...

09 agosto, 2012

Retalhos e Epopeias chegando ao leitor






                      Retalhos e Epopeias foi lançado em maio de 2012 e, aos poucos, começa a chegar aos leitores. Compartilho a seguir a análise crítica feita pela renomada Prof. Dra. Marisa Giannecchini:


          Carolina, quero dizer-lhe do prazer que tive e tenho de entrar em contato com sua escritura. Soam nela as invariantes clássicas, as matrizes do pensamento ocidental/universal que falam à minha alma como sonoridade arcaica, reverberando em tempo presente. Só isso ou tudo isso já seria plenitude: um diálogo inconcluso com as nascentes do sentido, da timia à foria, até a manifestação em linguagem que parece ser verbal.
          Mas aí a grande novidade: o caráter sinestésico de sua construção me invade por meio do experimentalismo de sua expressão. Que graça e beleza ao estabelecer a interlocução com o discurso de hoje, amarrando-o às raízes! O velho e o novo se harmonizam, o mythos e o logos, pois no livro a estrutura sustenta a poesia e seus enigmas. Parabéns por me convocar, como leitor, dobrando-me aos Retalhos e Epopeias.
         Com o gosto de ser um leitor fisgado pela paixão!
Marisa de sempre



       
LER TODO O ARTIGO...

27 junho, 2012

Anti-Kléos







Era o dia de Bloomsday. Seu mundo estava preso na garganta. Não saía do casco e pendia a cabeça por tamanha flacidez da vontade. Gritar o eco do sonho doía os rins, a barriga mal dormida, o apêndice que exalava o mesmo e contínuo crônico desejo de ver. Viver a vida até a borra. Tudo sonhar e tudo respirar. Mas a boca do inferno cospe sua lava maldita e desarma o empenho. O lance diurno de lavar-limpar-temperar-esperar já não dizia o andar contra a correnteza? O não de todas as horas e dos anos perdidos? Numerologia que sustenta e alenta, avisa a maior espera. 2012=5. E o ano dissolve, estraçalha a pedra do rim. Sim, andar o dia como a empurrar com as pernas a areia de todo pântano. Avançar enterrado num rio de borboletas mortas.

LER TODO O ARTIGO...

16 maio, 2012

LANÇAMENTO DO LIVRO RETALHOS E EPOPEIAS






Retalhos e Epopeias é o resultado das publicações do blog homônimo que foram postadas durante o ano de 2011. O blog nasceu de uma tentativa de imprimir ritmo e disciplina ao trabalho de escrita, normalmente árduo e frágil diante dos compromissos diários. Um blog despretensioso, um simples caderno de exercícios de escrita, uma maneira de descobrir que os retalhos atados podem tornar-se grandiosas epopeias. Com pequenos e grandes eventos, fragmentos e grandes feitos, a autora Carolina Bernardes procurou ser a tecelã de uma história e sua própria heroína – Penélope e Odisseu.

No dia 27/05/12, você terá duas oportunidades de conhecer o livro.

Salão de Ideias na Feira do Livro de Ribeirão Preto
Às 13:30 – Auditório Palace

Noite de Autógrafos
Às 19:30 – Ponto Chic
Rua Conde Afonso Celso, 1405 (esquina com av. Independência) – Boulevard

Saiba mais sobre o livro:

Veja também o livro no site da Editora Patuá:


ESPERO VOCÊS! 

LER TODO O ARTIGO...

07 maio, 2012

Oficina de Literatura Infantil - 2012

        


Estão abertas as inscrições para a Oficina de Literatura Infantil, no Núcleo Távola (Ribeirão Preto). Depois de desenvolver o curso de Escrita Criativa em alguns locais da cidade e em João Pessoa, oferecemos agora a oportunidade de aprimoramento dos autores na arte literária voltada para crianças. Conheça a proposta do curso.
A oficina tem como objetivo desenvolver o conhecimento e a capacidade de análise das especificidades do texto literário destinado às crianças, bem como a habilidade de produção de textos para esse mesmo público leitor.

A oficina tem como objetivo desenvolver o conhecimento e a capacidade de análise das especificidades do texto literário destinado às crianças, bem como a habilidade de produção de textos para esse mesmo público leitor.

Público-alvo: Escritores e interessados em literatura infantil

Conteúdo Programático: 1. Aspectos básicos dos Estudos Literários / 2. Características e aspectos teóricos da Literatura Infantil/ 3. Origens, história e situação atual/ 4. Elementos da Literatura Infantil/ 5. As narrativas: Mitologia e lendas; Contos de Fada e o Maravilhoso; Os personagens; Principais autores/ 6. A poesia para crianças/ 7. As adaptações de obras clássicas.

Material bibliográfico a ser utilizado: a professora disponibilizará conforme as aulas.


Ministrante: Carolina Bernardes é natural de Ribeirão Preto. Graduou-se em Letras pelo Centro Universitário Barão de Mauá. É Mestre em Estudos Literários (UNESP – Araraquara) e Doutora em Teoria da Literatura (UNESP – São José do Rio Preto). Tem publicado artigos em revistas literárias no Brasil, Portugal e Chile, além de participar de congressos como conferencista no Chile e Argentina. Professora no Ensino Superior (de Literatura Infantil, entre outras literaturas) há quatro anos; atua, no momento, como orientadora educacional na UNICAMP. Como escritora, recebeu o Prêmio Literário “Grandes Empresas na Literatura” por sua obra infantil Flauis (2010) e publicou o livro de contos Retalhos e Epopeias (Editora Patuá, 2012). Escreve uma coluna de orientação aos novos autores para o site literário Benfazeja e já ofereceu oficinas de Escrita Criativa em Ribeirão Preto (no SESC e em outros espaços) e em João Pessoa-PB.


Material de trabalho: papel, caneta
Duração do curso: 3 meses
Carga Horária: 24 horas/aula

Horários: às terças-feiras – 19:30 às 21:30 h
Datas: 07/08 – 14/08 – 21/08 – 28/08 – 04/09 – 11/09 – 18/09 – 25/09 – 02/10 – 09/10 – 23/10 – 30/10

Vagas limitadas: 15
Valor: R$ 350,00 (pode ser dividido em até 4 vezes)
Formas de pagamento:
§  Dinheiro (somente à vista)
§  Cheque (em até 4 vezes)
§  Cartão de crédito (em até 4 vezes)

Descontos:
§  20% para alunos já matriculados em outros cursos do Núcleo Tavola.

§  10% para pagamento à vista

Local: Centro Médico – Rua Thomaz Nogueira Gaia, 1275, Jd. Irajá, Ribeirão Preto-SP

 


LER TODO O ARTIGO...

03 maio, 2012

Retalhos e Epopeias (Editora Patuá): o blog que agora é livro.




Este blog nasceu em 30 desetembro de 2010. Cheguei tarde, quando muitos autores e aspirantes à escrita já se expressavam de longa data por meio desta ferramenta tão contemporânea. Levei tempo para aderir. Cheguei sem ideia do que poderia acontecer, mais pessimista do que esperançosa. “Há tanto para ler na internet, por que alguém se interessaria por esta confissão aberta e pela proposta de mover a roda com minhas próprias mãos?”Nunca acreditei que teria leitores, que sairia do anonimato ou encontraria um editor mágico para me salvar do limbo dos ignorados.

A proposta do blog, no entanto, era talvez mais ambiciosa: servir de veículo para a minha transformação. Tornar-se meu estilo de vida. Respeitar “o grito que jamais cessa”. E, por meio dos textos aqui postados, passar a acreditar que sou uma escritora.

De fato, consegui manter um certo ritmo de postagens. Entre textos novos, fui postando os retalhos, aqueles que guardamos em caixas e baús, tão ínfimos e insignificantes para o outro, mas com uma longa epopeia por detrás, realmente fabulosa somente para quem viveu a experiência. Como consequência, surgiu a coluna de Escrita Criativa no site literário Benfazeja; surgiu o convite (vindo de Tarcísio Pereira) para a oficina de escrita criativa na Semana José Lins do Rego em João Pessoa; o curso de formação deescritores na Escola Waldorf em Ribeirão Preto; a participação na Feira doLivro de Ribeirão (em 2011) e no programa televisivo Sala D Visitas (Canal Band).

Eu já não poderia mais falar em anonimato, apesar de que esse conflito entre se tornar reconhecido e ser pessoa comum seja uma de minhas preocupações (com planos de virar livro). Havia sim, um editor mágico, com a boa intenção de me tirar do limbo. Por mais que a internet nos deixe claro que somos somente um a mais na multidão, o movimento de se colocar no rio, de nadar entre os peixes, molhando dedos e cabelos, é participar da existência, é o vir-a-ser que todos buscamos. Num desses momentos de mergulho, encontrei a Editora Patuá., que vem fazendo um trabalho histórico com a edição de novos autores. O “blog que nasceu de um grito” tornou-se o primeiro livro publicado por uma editora. O livro está pronto no site da editora e o lançamento marcado para acontecer em maio. Quem não puder aparecer em Ribeirão Preto para falar diretamente comigo pode comprar o livro pelo site da Patuá e receberá meu autógrafo.

Compartilho agora, em primeira mão, a maravilhosa orelha que o romancista, dramaturgo e ganhador da Bolsa de Criação Literária Funarte (2009) escreveu especialmente para Retalhos e Epopeias:


Carolina Bernardes tem uma literatura muito pessoal. Possui uma identidade com impressões digitais a cada frase, cada imagem, num texto límpido e fulgurante que reúne, a um só tempo, objetividade e complexidade interior. Temos, aqui, a marca de uma escritora que conseguiu definir e impor um estilo. A sua prosa é o resultado de uma transcendência de gênero, é a predileção de quem buscou ir além de um mero padrão convencional de poesia. Ela traz a poesia, ela é a poeta cuja inquietação ocasiona desdobramentos de formas, porque precisa da prosa para narrar e fazer histórias, mas fazer histórias como quem compõe longos poemas.

Esta obra poderia ser, portanto, um livro de poesias, mas não é. Lendo-a, primeiro mergulhamos na dimensão mais profunda do seu poço poético, mas depois retornamos à superfície da prosa para navegar em águas que narram, e que nos levam a desfechos surpreendentes de fábulas humanas. Carolina consegue nos envolver em metáforas sem expulsar-nos da fábula. E fábulas sensoriais, aparentemente banais, de fatos ou situações comuns para cada ser que pensa, sente, questiona e vivencia diariamente experiências análogas. Essa prosa é uma voz subjetiva da autora e, ao mesmo tempo, um clamor vivo, portanto identificável a partir do momento em que nos familiarizamos com seus textos.

Convém observar, porém, que essa familiaridade, ou empatia, não se revela na primeira linha, nem ainda no primeiro parágrafo, talvez nem mesmo no primeiro texto. Quem nunca leu Carolina, é preciso ter a paciência de compreendê-la a partir do segundo ou terceiro texto. Ela faz parte de um time de autores cujas narrativas precisam de um tempo, não tão longo, para serem totalmente absorvidas.  A partir do instante em que o conseguimos, fica difícil largar o seu texto. E passamos a querer uma nova história quando chegamos ao fim.

Tarcísio Pereira

Romancista e dramaturgo
LER TODO O ARTIGO...

26 março, 2012

Curso de Escrita Criativa - 2012




Estão abertas as inscrições para o curso de Escrita Criativa, na escola Waldorf. Nossa primeira turma finalizou em novembro de 2011 o módulo introdutório aos estudos literários. Para 2012, a proposta é o aprofundamento nas técnicas da escrita literária para todo o público interessado na arte de escrever.

O projeto foi concebido com o objetivo de trazer para Ribeirão Preto a oportunidade de aperfeiçoamento e descoberta da prática literária. A formação de escritores tem sido realizada em algumas cidades do Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre – mas ainda não chegara à Ribeirão, apesar do movimento ativo de escritores, da cidade sediar a Feira Nacional do Livro e, agora, o Congresso Nacional de Escritores da UBE, que aconteceu em 2011.

Os estudos literários e a experiência com a escrita fundamentaram a preocupação de oferecer um curso aprofundado a todos os interessados em desenvolver a escrita literária, pois escrever deve ser entendido como um trabalho, como esforço, como um processo prolongado de aprendizagem. Não se pode fiar na inspiração, e sim no jogo com a linguagem, que se constitui pela construção de sentidos decorrentes da leitura (do livro e do mundo).

Assim, sabendo da dupla lacuna existente no meio literário – a falta de cursos de formação de escritores e a necessidade de aprendizado contínuo do autor – o projeto foi sendo elaborado. A Escola Waldorf João Guimarães Rosa confiou no projeto e abriu suas portas para abarcar a ideia.

A proposta se baseia na criação de um espaço de discussão e aperfeiçoamento do fazer literário, num processo aberto e imprevisível, como a própria Literatura que está em permanente construção. Em síntese, o trabalho de formação de escritores se funda na constituição do olhar, ou seja, na leitura que desconstrói para a reconstrução do mundo.

O curso acontecerá quinzenalmente às quartas-feiras (das 19:30 às 21:30), no espaço da biblioteca. A mensalidade é de 100 reais, incluindo material.

Os interessados, devem se inscrever com Gislaine, pelo e-mail: biblioteca@waldorfribeirao.org

MINISTRANTE: Carolina Bernardes, Mestre e Doutora em Estudos Literários pela UNESP; Escritora, premiada pela obra infanto-juvenil FLAUIS; Professora de Literatura no Ensino Superior/ Orientadora Educacional na UNICAMP; Autora da seção Escrita Criativa no site literário Benfazeja. Publica seus textos literários no blog http://retalhoseepopeias.blogspot.com e está lançando o livro de contos Retalhos e Epopeias (Editora Patuá).
LER TODO O ARTIGO...

22 janeiro, 2012

O rei de Assine - Giorgos Seféris

        O poema "O rei de Assine" de Seféris é um dos meus preferidos de toda a literatura. Neste momento, especialmente, tenho estado novamente em contato com ele, pois as linhas de força de meu próximo romance aí se encontram condensadas. Creio que passarei uma longa fase viajando por Assine e em busca do rei que a história jamais lembrou. Apenas duas linhas inscritas na Ilíada o rememoram.


O Rei de Assine
Assíne te...
                                                                           Ilíada
A manhã toda olhamos em redor da fortaleza
a começar do lado da sombra, sítio em que
o verde mar sem brilhos, arnês de pavão morto,
nos acolheu como um tempo sem lacunas.
As estrias da rocha desciam lá do alto:
vinha nua e torcida, seus múltiplos sarmentos
reviviam ao toque da água e o olho a acompanhá-los
lutava por escapar ao fatigante embalo
cuja força ia sempre declinando.
Pelo lado do sol, uma longa praia aberta
e a luz a lapidar diamantes na muralha.
Nenhum ser vivo: as pombas, fugitivas,
e o rei de Assine, que há dois anos procurávamos,
ignoto, esquecido de todos, e de Homero
uma só palavra na Ilíada, mas dúbia,
ali deixada qual fúnebre máscara d’ouro.
Tocaste-a – lembras o som? – vazio dentro da luz,
jarro seco no chão escavado,
e o mesmo som no mar aos nossos remos.
O rei de Assine, um oco sob a máscara,
em toda parte conosco, conosco sempre, sob um nome:
“Assíne te... Assíne te...”
                            e seus filhos estátuas
e suas ânsias um tatalar de asa de pássaro e vento
soprando-lhe entre as cismas, seus navios
ancorados em porto indiscernível;
por sob a máscara, um oco.

Além dos olhos grandes, da curva dos lábios, dos anéis dos cabelos
inscrito no ouro que nos cobre a existência,
um ponto tenebroso viaja como peixe
em meio à calma matinal do mar, e ali o vês:
vai um vazio conosco a toda parte.
E a ave que se foi de
asa quebrada
a um refúgio de vida no outro inverno,
e a moça que fugiu para folgar
entre os dentes caninos do verão,
e a alma lamentosa buscando o mundo ínfero,
e o sítio, larga folha de plátano que o sol leva no seu fluxo
com os velhos monumentos e o pesar coevo.
E o poeta que se atrasa a contemplar as pedras pergunta a si próprio:
acaso subsiste,
entre estas arestas confusas, picos e cimos, ocos e curvas,
acaso subsiste
neste passo da chuva, do vento, da ruína,
subsiste o trejeito do rosto, a forma dos afetos
daqueles que estranhamente minguaram em nossa vida,
que ficaram como sombra nas vagas, pensamento no mar infindo?
Nem isso talvez deles sobrasse; nada, além do peso
ou nostalgia do peso de uma existência viva,
aqui onde ora estamos incorpóreos, pensos
como ramos de um salgueiro terrível, tombado sobre o vão do desespero,
enquanto, citrino e lento, o rio arrasta para o lodo juncos extirpados,
forma feita pedra em amargor perpétuo, pertinaz.
O poeta, um vazio.

Com seu escudo, o sol ascende, combatendo,
e do fundo da caverna um pávido morcego
inflete contra a luz qual seta contra o escudo –
“Assíne te... Assíne te”: ali estava o rei de Assine
que nesta acrópole com tal ânsia procuramos,
nossos dedos lhe aflorando o rastro sobre as pedras.
                                      Assine, verão de 1938; Atenas, janeiro de 1940.
                                    Tradução de José Paulo Paes



LER TODO O ARTIGO...

28 dezembro, 2011

Contigo mesmo



Como decifrar o dever? De que maneira observar o dever íntimo impresso na consciência, diante de tantos deveres sociais, profissionais e afetivos que muitas vezes nos impõem caminhos divergentes.
Efetivamente, nasceste e cresceste apenas para ser único no mundo. Em lugar algum existe alguém igual a tua maneira de ser; portanto, não podes perder de vista essa verdade, para encontrar o dever que te compete diante da vida.
Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e tua tarefa mais importante na Terra, para a qual és o único preparado, é desenvolver tua individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.
A preocupação com os deveres alheios provoca teu distanciamento das próprias responsabilidades, pois não concretizas teus ideais nem deixas que os outros cumpram com suas funções. Não nos referimos aqui à ajuda real, que é sempre importante, mas à intromissão nas competências do próximo, impedindo-o de adquirir autonomia e vida própria.
Assumir deveres dos outros é sabotar os relacionamentos que poderiam ser prósperos e duradouros. Por não compreenderes bem teu interior, é que te comparar aos outros, esquecendo-te de que nenhum de nós está predestinado a receber, ao mesmo tempo, os mesmos ensinamentos e a fazer as mesmas coisas, pois existem inúmeras formas de viver e de evoluir. Lembra-te de que deves importar-se somente com a tua maneira de ser.
Não podemos nos esquecer de que aquele que se compara com os outros acaba se sentindo elevado ou rebaixado. Nunca se dá o devido valor e nunca se conhece verdadeiramente.
Teus empenhos íntimos deverão ser voltados apenas para tua pessoa, e nunca deverás tentar acomodar pontos de vista diversos, porque, além de te perderes, não ajustarás os limites onde começa a ameaça à tua felicidade, ou à felicidade do teu próximo.
Muitos acreditam que seus deveres são corrigir e reprimir as atitudes alheias. Vivem em constantes flutuações existenciais por não saberem esperar o fluxo da vida agir naturalmente. Asseveram sempre que suas obrigações são em “nome da salvação” e, dessa forma, controlam as coisas ou as forçam acontecer, quando e como querem.
Dizem:“Fazemos isso porque só estamos tentando ajudar”. Forçam eventos, escrevem roteiros, fazem o que for necessário para garantir que os atores e as cenas tenham o desempenho e o desenlace que determinaram e acreditam, insistentemente, que seu dever é salvar almas, não percebendo que só podem salvar a si próprios.
Nosso dever é redescobrir o que é verdadeiro para nós e não esconder nossos sentimentos de qualquer pessoa ou de nós mesmos, mas sim ter liberdade e segurança em nossas relações pessoais, para decidirmos seguir na direção que escolhemos. Não “devemos” ser o que nossos pais ou a sociedade querem nos impor ou definir como melhor. Precisamos compreender que nossos objetivos e finalidades de vida têm valor unicamente para nós; os dos outros, particularmente para eles.
Obrigação pode ser conceituada como sendo o que deveríamos fazer para agradar as pessoas, ou para nos enquadrar no que elas esperam de nós; já o dever é um processo de auscultar a nós mesmos, descortinando nossa estrada interior, para, logo após, materializá-la num processo lento e constante.
Ao decifrarmos nosso real dever, uma sensação de auto-realização toma conta de nossa atmosfera espiritual, e passamos a apreciar os verdadeiros e fundamentais valores da vida, associados a um prazer inexplicável.
Lembremo-nos da afirmação do espírito Lázaro em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “O dever é a obrigação moral, diante de si mesmo primeiro, e dos outros em seguida”. (cap. XVII, item 7)

Extraído do livro "Renovando Atitudes", Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por HAMMED. Catanduva: Editora Boa Nova, 1997.

       
LER TODO O ARTIGO...

04 dezembro, 2011

Olhos acesos

       



O primeiro módulo do curso de Escrita Criativa (oferecido por mim na Escola Waldorf, em Ribeirão Preto) foi concluído na última quarta-feira (30/11). Como homenagem aos meus alunos, escrevi este texto, inspirado nas atividades propostas e no objetivo central do curso: despertar a capacidade de ver o mundo, para além da vista cansada que orienta nossa vida cotidiana.
Muito em breve, voltarei com a notícia sobre a edição do livro com os textos produzidos pelos alunos.


De tão longe eu avistei uma mesa quadrada. Acomodada em canto aberto de uma serena biblioteca, onde o sol reluz. Não foi através de uma janela que meus olhos sonharam o encontro noturno entre cavaleiros jovens e experientes para a conversa do engenho criativo. Foram meus olhos, livres de qualquer moldura, que descobriram a mesa, polida e envernizada, onde repousaram nossas janelas. Os livros fechados ao redor se calaram, obedientes ao toque da marcha, ouvindo cada sim ou não, o desenho da garrafa que o mar não trouxe, da família que chorou o pão amassado, da fêmea que matou o europeu, da rua enfeitiçada de cascalhos que abriu as portas da casa materna. Se este fosse um último poema ou a derradeira descrição, meus olhos se apagariam, gastos, desencantados por detrás da janela fechada. E se de longe eu avistei, foi por conhecer que as palavras formam rastros de arado em nossa alma e esses não se apagam jamais. Com os olhos acesos, seguiremos, pois somos contadores de histórias sob a chuva que cai repetida.



LER TODO O ARTIGO...

11 novembro, 2011

Mantra do girassol



A voz que encarna no corpo, que o leva ao mundano, ao fastio, ao deslumbre de ser a unidade inteira, funda a distância com a outra unidade. Vínculo perdido. Fração forçada. Do fogo cruzado a ferida. Aberta como rosa no ventre. Do triste alarido ficou o número onze. Um mais um. A soma de dois permanentemente um. A rosa abre a todos os ventos, vazia, cavada como a fome. Buraco sem fundo na barriga e a visão do onze. Do ponto obscuro surgiu uma luz. Do buraco mais negro a tentativa de chamar. Penso somente naquela conversa, que o afastou. Na distância que me partiu. Na intimidade que não fui eu. Mas a voz que cura a fome do ventre me avisou: o onze é o começo daquele um que ainda existe.

LER TODO O ARTIGO...

02 novembro, 2011

Escrita Criativa: o estímulo do olhar




Completamos um mês de curso de Escrita Criativa na Escola Waldorf Ribeirão e, para comemorar, nada mais acertado do que escrever e compartilhar a nossa alegria com todos os amigos.
O projeto foi concebido com o objetivo de trazer para Ribeirão Preto a oportunidade de aperfeiçoamento e descoberta da prática literária. A formação de escritores tem sido realizada em algumas cidades do Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre – mas ainda não chegara à Ribeirão, apesar do movimento ativo de escritores, da cidade sediar a Feira Nacional do Livro e, agora, o Congresso Nacional de Escritores da UBE, que acontecerá em novembro.
Os estudos literários e a experiência com a escrita fundamentaram minha preocupação de oferecer um curso aprofundado a todos os interessados em desenvolver a escrita literária, pois escrever deve ser entendido como um trabalho, como esforço, como um processo prolongado de aprendizagem. Não se pode fiar na inspiração, e sim no jogo com a linguagem, que se constitui pela construção de sentidos decorrentes da leitura (do livro e do mundo).
Assim, sabendo da dupla lacuna existente no meio literário – a falta de cursos de formação de escritores e a necessidade de aprendizado contínuo do autor – o projeto foi sendo elaborado. A Escola Waldorf João Guimarães Rosa confiou no projeto e abriu suas portas para abarcar a idéia.
O curso acontece às quartas-feiras (das 19:30 às 21:30), no espaço da biblioteca. O grupo é formado por seis adultos e quatro adolescentes (alunos da escola). Cinco aulas se passaram, nas quais trabalhamos com o significado da leitura, como princípio básico para a formação do “olhar” do autor; com as diversas formas de conceituação da Literatura e do que é escrever; assim como desenvolvemos atividades de criação para o desbloqueio e estímulo do olhar.
A proposta se baseia na criação de um espaço de discussão e aperfeiçoamento do fazer literário, num processo aberto e imprevisível, como a própria Literatura que está em permanente construção. Em síntese, o trabalho de formação de escritores se funda na constituição do olhar, ou seja, na leitura que desconstrói para a reconstrução do mundo.
O curso continuará até o final de novembro, quando daremos início à produção de uma coletânea de textos dos alunos e edição da obra em livro. Está prevista a continuidade do curso em 2012. Os interessados podem ainda se inscrever.


LER TODO O ARTIGO...

25 outubro, 2011

A flor, o livro, o rio...





O escritor grego Nikos Kazantzakis deixou registrado que via sua obra como “um rio que flui em direção ao futuro”. Sempre gostei da analogia, e como jamais estudamos e lemos um autor por acaso (e vocês sabem que meu autor ao qual me dedico é Kazantzakis), eu me vi mergulhada nesse rio. Neste outubro, estive no Chile (Santiago) para participar de um congresso de estudos gregos. Fui convidada para falar de... (é claro) Kazantzakis. E escolhi tratar dessa metáfora do rio, pensando sobre a relação de Kazantzakis com o momento histórico.
Mas o congresso não foi propriamente de estudos. Foi de mergulho. Sem saber que estava imersa nas águas de Heráclito, de Guimarães Rosa e de Kazantzakis, distante das margens, me assalta a agradável e realmente inesperada surpresa. Um amigo que eu já conhecia do Centro de Estudios Griegos, Bizantinos y Neohelénicos chega, no primeiro dia, e me diz que tinha algo importante a contar.
Seu relato foi me deixando de boca aberta e emocionada, enquanto a correnteza se ria de mim. Ele – Miguel Saldías Vergara – havia traduzido meu singelo conto infantil FLAUIS para o espanhol, com o intuito de que sua filha de 6 anos Leonarda Amanda Saldías Fernández o apresentasse em sua escola BAU para os coleguinhas. E a grande epopéia se deu. Miguel realmente traduziu o texto, escaneou as imagens, montou um Power point, a menina o apresentou na escola (junto da mãe) e ainda levou um vaso com terra e semente para as outras crianças plantarem e darem um nome à sua flor. Como negar que uma obra abre um fluxo de rio para o futuro?
Abaixo compartilho uma parte do texto no idioma castelhano e as fotos da apresentação.
Leonarda Amanda Sandías Fernández
FLAUIS
Carolina Bernardes
         Flauis es esta pequeña flor que vive en un vaso en el jardín de mi casa. Fui yo quien dió ese nombre a ella. Converso con mi amiga todos los días, y eso comenzó luego que mi mamá la trajo a vivir con nosotros. ¡Y la Flauis me cuenta cada historia!
         La Flauis vivió en un montón de lugares y me dice que no fue siempre una flor.
         Hubo un tiempo en que Flauis volaba sobre el viento y sentía la libertad, danzando para allá y para acá, entre nubes y estrellas. Vió las ciudades y las montañas, vió plantaciones, animales y gentes andando sobre las tierras de la tierra.
         Porque Flauis podía ver todo desde arriba.
         En ese tiempo, Flauis era una semilla cargada por el viento.
         Un día, el viento paró de soplar a Flauis y cayó desde lo alto a un pedacito de tierra.
         Su casa ya no era más el viento y ahora ella podía ver todas las cosas con los ojos desde abajo y observó alto, tan alto… a las estrellas más distantes. Mas Flauis gustó de la tierra, era fresquita y la abrazaba llena de amor.
         No sentía ausencia de sus amigas estrellas, porque venían a visitarla todas las noches, junto a la luna. La noche era tan bonita y ella nunca la había mirado!
         Y cuando el día llegaba, la luz continuaba, más fuerte y muy amarilla.
         Tenía también un amigo muy poderoso, con brazos enormes y calentando todas las cosas con su cola. Él era el sol, quien hacía cosquillas a  Flauis. No sentía frío en los días de sol y su cuerpo engordaba más y más.
         Muchas veces, el sol se iba para descansar de tanto trabajo. Y la lluvia venía, linda y brincadora, para hacerle compañía.
         La lluvia viajera contaba historias de mares y tierras distantes, donde los pueblos hablan otros idiomas. Ella cantaba músicas de amores y de alegrías de otros mundos que conocía.
         El cuerpo de Flauis engordaba más un poco con aquel baño cantante.
         Flauis sabía que estaba mayor y sentía ganas de estirarse toda, de abrir los brazos, y de plantar los pies sobre la tierra. Y sus piernas comenzaron a aparecer y descender hacia dentro de la tierra. Conoció a los nutrientes, granos pequeñitos y somnolientos que se aproximaban para dormir en sus piernas. Flauis gustaba de ellos, porque también tenían el poder de hacerla engordar un poco más. Sus brazos ya danzaban al aire y la transformaban en una semilla alta y alegre.
         Flauis conquistó un nuevo amigo. El llegó un día, cerca de ella, la tocó, la quiso y habló con ella.
         “Como está alegre hoy, amiga pequeñísima! Voy a cuidar de ti para que el mundo sea más bello.”
         El hombre comenzó a verla todos los días, trayendo agua y amor.
         Flauis gustó de él, era un amigo diferente, nuevo, con las manos llenas de flores!
         Las hojitas en sus brazos ya se abrían como manos verdes de esperanza. Su cabeza comenzaba a erguirse colorida de pétalos.
         El buen jardinero, satisfecho con su florecer, dio un regalo a Flauis; una casa roja con bolitas blancas. Tan graciosa!
         Con todo el cuidado, el jardinero colocó tierra en la casa, retiró a Flauis del terreno en que vivía y la plantó en su nueva morada. Ahora, la pequeña flor también podía pasear, conocer otros lugares, siendo llevada por el buen jardinero. Pasó a vivir en la terraza de la casa. Había música y conversaciones de gentes.
         Alimentándose de agua y sol durante el día, en la noche, en cuanto todos dormían, Flauis sentía las gotas del agua y los pedacitos de sol andando dentro de sus hojas y tallos. (fragmento)







O tradutor: Miguel Saldías Vergara

LER TODO O ARTIGO...

LIVROS ESSENCIAIS

  • A Demanda do Santo Graal. (Anônimo)
  • A vida e as opiniões do cavalheiro Tristam Shandy. (Laurence Sterne)
  • Ascese. (Nikos Kazantzakis)
  • Cem anos de Solidão. (Gabriel Garcia Marquez)
  • Crime e Castigo. (Dostoiévski)
  • Folhas de Relva. (Walt Whitman)
  • Húmus. (Raul Brandão)
  • Judas, o Obscuro. (Thomas Hardy)
  • Mahabharata (Anônimo)
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
  • Narciso e Goldmund. (Hermann Hesse)
  • O casamento do Céu e do Inferno. (William Blake)
  • O homem que comprou a rua. (Tarcísio Pereira)
  • O Perfume. (Patrick Süskind)
  • Odisseia (Kazantzakis)
  • Odisseia. (Homero)
  • Os Cadernos de Malte Laurids Brigge. (Rainer Maria Rilke)
  • Peter Pan. (J. M. Barrie)
  • Poemas (Seferis)
  • Poemas Completos de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
  • Zorba, o grego. (Nikos Kazantzakis)

Banner 250 x 40


meu bichinho virtual

De onde vêm meus visitantes?

 
2009 Template Bucólico|Templates e Acessórios