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Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

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Todos os textos são de autoria de Carolina Bernardes. A cópia não é autorizada e configura plágio. Tecnologia do Blogger.

16 janeiro, 2011

O QUE É ESCREVER?


Concluí a postagem “Somos muitos escritores” com a pergunta: MAS O QUE É ESCREVER? Era o anúncio de que eu procuraria respondê-la em postagem futura. OK, este é o momento.

Tarefa complexa a de refletir sobre “o que é escrever”. Apesar de ter me aventurado nessa reflexão como professora de Escrita Criativa, confesso nunca estar à vontade com a questão. Assim como é extremamente perigoso definir o que é poesia, o que é prosa e, principalmente, o que é literatura, tentar encontrar conceitos para a prática da escrita, do ponto de vista do autor, é uma das mais difíceis empresas. Por que me aventuro, então? Simplesmente porque este blog é meu caderno de rascunhos, a minha tentativa de dar alguma sistematização ao caos dos pensamentos.

Para quem ainda não leu (mas deveria, pois é o melhor texto deste espaço até então), a proposta do blog, apresentada na primeira postagem (“O Chamado e o Grito”), é a de relatar o processo de invenção desta escritora. Não esperava leitores, apenas desejava ser mais disciplinada com meu trabalho de escrita, relatando as angústias, as descobertas, o processo de produção de um livro em seu próprio fazer-se... Assim justifico, portanto, esta postagem sobre “O QUE É ESCREVER?”.

Para dar início a qualquer projeto de escrita, devemos refletir sobre a nossa relação com o texto, com a criação, com o leitor e com nossa própria imagem de autor. Certamente, todos nós teremos motivações e expectativas variadas. A seguir, apresento algumas definições de autores consagrados, que ilustram claramente a diversidade de motivações e expectativas, a multiplicidade que a literatura evoca. Creio que seja um convite a todos aqueles que se interessam pelo tema a discutir o que é literatura, a propor suas próprias reflexões.


A literatura nos mostra o homem com uma veracidade que as ciências talvez não têm. Ela é o documento espontâneo da vida em trânsito. É o depoimento vivo, natural, autêntico... Quando um poeta canta é que nele se operou todo o processo de síntese: sua sensibilidade, sua personalidade recolheu os elementos esparsos do momento, da raça, da terra, dos contatos sociais e espirituais; todo o complexo da vida, na receptividade ativa e criadora de um homem, pode produzir máquinas ou leis, sistemas ou canções. Mas as canções parece que vêm muito mais diretamente da origem à sua forma exterior, ou então, talvez abram mais facilmente passagem até as almas: porque por elas se aproximam distâncias, se compreendem as criaturas, e os povos se comunicam as suas dores e alegrias sempre semelhantes. (MEIRELES, Cecília)


Quanto mais escrevia, mais sentia que ao escrever eu lutava, não pela beleza, mas pela redenção. Queria ser liberto de minha própria escuridão interior e de transformá-la em luz, queria ser liberto dos terríveis ancestrais que rugiam em mim e transformá-los em seres humanos. (KAZANTZAKIS, Nikos)


Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples “Preciso”, então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso. (RILKE, Rainer Maria)


A poesia está para além das necessidades físicas, biológicas, fisiológicas. Ela atende aos apelos da alma. Está mais para as folhas da árvore que aprecio da minha sacada, que se elevam, do que para as suas raízes. Evidentemente, todo artista gostaria que sua arte fosse fonte de sua sobrevivência e essa é uma possibilidade concreta; porém folhas são folhas e raízes são raízes, e, para o ser humano, abdicar de uma ou de outra é entregar-se à secura dos galhos...
Sim, isso é um apelo: nunca deixem de escrever poesia, mesmo que seja somente à noite, depois de ter passado o dia criando peças publicitárias, enchendo tanques de gasolina, aplicando vacinas em crianças, dando aulas ou qualquer outra atividade profissional...   (VERONEZE, Sandra)


Estas são visões inteiramente pessoais e nada acadêmicas da literatura, já que não utilizo o blog com fins de pesquisa. Continuarei apresentando citações de outros autores nas próximas postagens. Convido você a comentar, a escrever aqui a sua experiência de escrita. O que significa escrever para você? Participe! Quem sabe não chegamos a alguma conclusão com esta interação!




3 Comentaram. Deixe seu comentário também!:

Junior Rios disse...

Que post mais sensacional, Carol!Realmente é essencial para quem se acha completo nesta arte tão mágica que é a escrita.Parabéns!

Bjo

CAROLINA BERNARDES disse...

Pois é, Junior, uma das principais lições que o escritor precisa aprender é que nunca deve se considerar pronto, completo. A mágica está na descoberta de que, assim como a literatura, tudo é processo, é movimento e crescimento. Obrigada pela visita. Muito obrigada mesmo.
Um abraço enorme. Tenha uma ótima semana!

BiaBloom disse...

Muito boa esta postagem! Você é extremamente boa na escrita e seu blog está de parabéns! Quem sabe suas postagens não começam a abrir os olhos dos ignorantes e sem cultura...
Estou aqui também para retribuir sua visita.
Ótima observação! A Rebeca ficaria perfeita naquele meu post! Prepare-se para mais postagens interessantes no Inverno das Flores, enquanto me preparo para mais fantásticas postagens do Retalhos e Epopeias que, com certeza, virão com tudo!
Abraços!

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