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Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

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29 julho, 2011

AXIS


Controlar os sentidos e a imaginação... qualquer palavra, imagem ou conceito podem ser usados como centro. Uma flor, uma cor, uma dor. Não, sem dor. Só os olhos levemente fechados para não incomodar. Pulsar calmamente no ritmo do universo. A mente calada, o pensamento inexistente. Somente o corpo, puro e simples. Um corpo sem palavras. Não existe objeto tão macio que não sirva de eixo para o universo de rodas. Respirar no fundo obscuro do existir sem palavras. Sequência lógica dos quatro – um, dois, três... a virtude sufoca, na vida e na morte. O corpo pausado que deve certeiro naufragar. Quero fluir em harmonia com o universo, rumo ao sol. Um, dois... suave, pacífico, calado. Um corpo sem eixo. A roda da morte que gira como a roda da vida. Talvez o relógio. Da repetição surgirá o silêncio. Serve pouco, como o pingo de tortura do enclausurado. Fechar a mente, confiscar as palavras, as lebres da falação. Fala muito essa cabeça, o quatro que não chega, que não segue por 20 minutos. Contar a respiração confunde o suspiro. Como calar a boca de uma cabeça que é minha? Ser autoritário com quem se ama é falhar na relação. Um, dois, três... Talvez o mantra: estou em harmonia com o universo. De mim sai e do universo entra. Estou em harmonia com o universo. Movimento não é silêncio. Mantra continua a ser falação. Palavra pós palavra. Como o ritmo da respiração, não cala nada, flui, move, palpita. Só na morte há meditação?
O tempo acabou com o relógio contrariando o silêncio. Levantou-se do aconchego da poltrona, onde se mantivera com as pernas em lótus. Suspirou. Calçou os chinelos e seguiu para o tanque. Muita roupa branca e de cor, sem coragem de se misturarem na máquina. A cor pronta a manchar a pureza. Separou-as em seus montes específicos. As fáceis de cor, que respeitam a natureza alheia, mergulharam na máquina. Mas as puras impávidas precisavam das mãos cuidadosas. As encardidas de um esfregão de purificação. E as cheias de tintura por último, para não macularem o sagrado tanque. Suas mãos não eram as melhores para a esfregação, mas o serviço funcionava assim mesmo. Uma, duas, três, quatro. Uma duas três quatro. Umaduastrêsquatro. E a máquina rodando em eixo macio.




 

3 Comentaram. Deixe seu comentário também!:

José Eron Lucas Nunes disse...

Boa noite!
Parabéns pelo título, parabéns pelo texto, parabéns pela máquina... Ótima analogia.
...e assim nas calhas de roda gira, a entreter a razão, esse comboio de corda, que se chama coração.
Gostei muito!

Barbara Fiedler disse...

Olá! Estamos retribuindo a visita que você fez ao jardim das hespérides! Infelizmente estamos com o tempo escasso e as respostas para os comentários e as postagens estão demorando um pouco.

Muito obrigada pela visita e volte sempre, é uma honra tê-la por lá!
Abraços!

Aclim disse...

Controlar os sentidos e a imaginação... qualquer palavra, imagem ou conceito podem ser usados como centro.

Controlo só os sentidos...

Muito bom seu texto

Abraço

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