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Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

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19 novembro, 2010

DIVERSIDADE DE DONS


Apesar da freqüência com que se ouve e se fala sobre os dons encontrados em diversas pessoas, apresentar definições claras e discussões filosóficas sobre o tema revela dificuldades. É comum tratarmos do tema como algo bastante presente em nosso cotidiano, sem que nunca tenhamos corrido aos livros para averiguar a natureza da palavra DOM e o que ela significa de fato. No entanto, as explicações do dicionário não chegam a resolver a questão, tampouco minimizam sua complexidade. Se filósofos trataram do tema ao longo de nossa história, é preciso recorrer a eles com uma lupa e extrema boa-vontade para que algo seja iluminado. Assim, para o momento, parece mais sensato fazer essa investigação em nossos espíritos e rogar a ajuda dos amigos espirituais mais adiantados em tais reflexões.
De início, a palavra nos leva a dois caminhos que merecem nossa atenção. Primeiramente, “dom” tem sido utilizado para designar as habilidades ou faculdades inatas de uma pessoa, tornando-a distinta das outras e superior no desenvolvimento de determinada prática, como as artes, os esportes, as ciências, a medicina. Porém, antes que possamos concordar com esse uso da palavra, devemos considerar outra acepção encontrada no dicionário, que nos revela ser o dom uma dádiva, um bem espiritual concedido por Deus, como um presente. Analisando o dom como doação de Deus, as distinções que algumas pessoas têm dentre as demais não seriam uma conquista, algo adquirido, mas uma graça, um merecimento aos olhos de Deus, o que não deixa de ser uma conquista, já que os méritos, sejam bons ou maus, vêm em conseqüência das ações pessoais.
No entanto, não parece ser correto acreditar que Deus conceda aptidões àquelas pessoas que vencem algumas etapas difíceis, como prêmios por seus esforços e sua vitória. Desse modo, os grandes artistas, os médicos renomados, os esportistas de destaque seriam todos de moral elevada e estariam revertendo para o bem as dádivas recebidas. O que, evidentemente, não acontece.
Assim, é preciso encontrar outra via de reflexão sobre o dom. Talvez seja mais apropriado considerar a doação divina como mais um meio de evolução, de adiantamento moral e espiritual. Deus nos concederia, então, a oportunidade de, por intermédio de nossas faculdades (o dom), aprimorar nosso espírito, pela ligação íntima com uma área do saber, e o desenvolvimento do amor ao próximo, compartilhando nosso conhecimento com a coletividade e, assim, colaborando com o seu adiantamento e ainda praticando o bem incondicional. Além disso, não poderia ser o dom uma forma de resgate dos débitos passados?
Por esse modo de compreender o dom, o amor de Deus torna-se incomensurável, pois revela que não há a escolha de eleitos por determinados filhos, mas é apenas mais um modo de possibilitar a ascensão, a longa caminhada do espírito. Além disso, nada fácil é administrar um dom e, por mais que pareça ser a garantia de status na materialidade, exige do indivíduo equilíbrio emocional e maior cuidado no intercâmbio com o mundo exterior. Não é à toa que grandes gênios enlouquecem ou são incompreendidos em vida, muitos mesmo padecem na miséria e no isolamento.
Devemos ainda ir mais além no assunto e abarcar agora os dons espirituais, ou faculdades mediúnicas, como melhor conhecemos. Seguindo a mesma linha de raciocínio utilizada para compreender os dons anímicos ou da “matéria”, se assim podemos chamá-los a título de distinção, a mediunidade igualmente é uma dádiva divina, que nos é oferecida também como meio de elevação moral e aperfeiçoamento coletivo. Assim como são diversos os dons da matéria – artes, esportes, ciências, medicina, etc. – as faculdades mediúnicas também o são. A diversidade de dons (sejam anímicos ou espirituais) reflete a realidade da própria natureza e do universo, tudo é múltiplo e diversificado. As pessoas são diferentes umas das outras, apesar de certas características comuns a todas; preferências, desejos, sentimentos e perspectivas (visões de mundo) são múltiplos e apontam em várias direções. Assim, a justiça divina, mais uma vez, distribui os dons conforme as necessidades e potencialidades latentes de cada indivíduo, conforme ainda suas possibilidades de atuação.
Todas as mediunidades são necessárias em uma casa espírita, porque diversas são as necessidades do ser humano. “Há instrumentos mediúnicos para o esclarecimento, para a informação, para o reconforto, para a convicção, para o fenômeno, para o socorro aos enfermos, para as manifestações idiomáticas, para a interpretação e para o discernimento, tanto quanto para numerosas outras peculiaridades de serviço”. Assim informa o espírito Emmanuel pelo dom de Chico Xavier em Palavras de Vida Eterna, ao interpretar as palavras de São Paulo registradas na Bíblia: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (I, Coríntios, 12:4). O mesmo Espírito espalha seus dons na Terra e, por meio de seus Mensageiros, se manifesta nos homens para o benefício de todos.
Portanto, se somos congratulados com a possibilidade de restauração de nossas falhas e débitos e de colaborarmos no trabalho divino, nossa responsabilidade se eleva ao mesmo patamar. Somos apenas intermediários de um plano maior, reter esse dom ou mal utilizá-lo é sinônimo de ingratidão e de irresponsabilidade. Tudo o que é recebido deve ser compartilhado, propagado, para que a ação de Deus se estenda a todos, se espalhe e atinja os necessitados, num círculo completo de cura. O médium, pois, deve receber a todos, sem distinção, para que participem da luz que o envolve.
Para finalizar a reflexão, deve ser dito que a distinção entre dons materiais ou anímicos e dons espirituais se verifica por uma linha muito tênue de separação e, muitas vezes, não se realiza de fato; ambos são praticados pelo intercâmbio com o plano espiritual, o que nos leva a concluir que todos os dons são de natureza espiritual e material (devido aos produtos que deles se originam). Como afirmar que um texto literário ou que a música de um grande compositor não foram produzidos em parceria com os espíritos? Ou que uma descoberta científica para a cura de uma doença não partiu de uma inspiração de cientistas do mundo espiritual? Como negar que a comunicação se estabeleça até mesmo por meio daqueles que nada conhecem de mediunidade e dela desacreditam? Deus abandonaria os descrentes? E na mão inversa: como dizer que a psicografia não se concretiza materialmente?
Como desconsiderar que, nos tempos iniciais da civilização humana, a medicina, a agricultura, a culinária, o artesanato, a música, a dança, a pintura eram atividades religiosas e componentes do ritual sagrado? Para o homem desse tempo, o artista era um mago (assim como o médico e o astrólogo), um artesão (como o arquiteto, o pintor e o escultor) e um iniciado nos mistérios sagrados (como o músico e o dançarino); seu trabalho nascia de um dom dos deuses (que deram aos humanos o conhecimento do fogo, dos metais, das sementes, dos animais, das águas e dos ventos, etc) e era um dom para os deuses.
E, nos dias atuais, após a leitura de um livro que nos encanta a alma, como não agradecer o gênio criador que nos deixou como legado tão maravilhosos ensinamentos, ao servir divinamente ao seu dom e baseado em leituras de outros e outros gênios e nas vozes que somente ele ouvia?

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Vital Cruvinel disse...

Olá, Carolina!

Gostei do texto! Por acaso acabei de ler um outro sobre dom musical

http://tianix.wordpress.com/2011/01/08/reencarnacao-a-queda-do-mito-do-dom-musical/

e o autor se concentrou em uma outra hipótese espírita: a de que o ser traz consigo a habilidade que já possuia em outras existências.

Eu acho que as duas hipóteses são igualmente válidas. E podem mesmo ser aceitas concomitantemente sem problemas.

Abraço!

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