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Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

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21 janeiro, 2011

DOIS POEMAS DE KAVÁFIS



1.Muros (1897)

Sem cuidado nenhum, sem respeito nem pesar,
ergueram á minha volta altos muros de pedra.

E agora aqui estou, em desespero,sem pensar
noutra coisa: o infortúnio a mente me depreda.

E eu que tinha tanta coisa por fazer fora!
Quando os ergueram, mal notei os muros, esses.

Não ouvi voz de pedreiro, um ruído que fora.
Isolaram-me do mundo sem que eu percebesse.
 

 
2. Coisas Ocultas (poema não-canônico)

De tudo quanto fiz e quanto disse,
não procurem saber quem eu era.
Um obstáculo havia e transformou
os meus atos e o meu modo de viver.
Um obstáculo havia e me deteve
cada vez em que eu ia falar.
Os mais despercebidos dos meus atos,
e, de meus escritos, os mais dissimulados –
por é que haverão de me entender.
Todavia, talvez nem valha a pena tanto
cuidado e tanto esforço para compreender-me.
Mais tardeem sociedade mais perfeita
algum outro, de feitio igual ao meu,
certo há de aparecer e livre há de atuar.

Tradução dos poemas: José Paulo Paes






            Considerado por muitos o magno poeta da Grécia moderna, Konstantinos Kaváfis (1863-1933) iniciou sua produção no século XIX e alcançou o século XX quando se aproximava dos quarenta anos. Apesar de um bom número de poemas escritos na época e sob a influência do simbolismo constarem de sua obra canônica, Kaváfis estabelece o ano de 1911 como marco divisório de sua escrita. Natural de Alexandria, onde passou toda a sua vida, fora algumas viagens esporádicas, Kaváfis não se considerava um grego, mas um heleno por sua dúplice condição: Alexandria é o espaço da mescla de tradições, a grega e a egipícia, e ainda a ponte entre o passado e o presente.
          Kaváfis não publicou nenhum livro em vida, divulgava seus poemas em forma de panfletos distribuídos entre os amigos. Não considerava sua obra pronta para a publicação definitiva. Mas, deixou instruções para depois de sua morte sobre o modo como deveriam ser publicados seus poemas. Dividiu-os entrepoesia canônica”, um conjunto de 154 poemas, e mais de 75 poemas com a indicaçãonão para serem publicados”, que no entanto, chegaram ao conhecimento do público em 1968.
       Homossexual, Kaváfis sofreu com a moralidade pública e o sentimento de culpa de quem cometia um pecado. Mas é pela memória que se redime de sua culpa. Comandada pela memória sensual, a poesia é uma filtragem da experiência vivida, segundo Paes, pela qual é expurgado o sentimento de culpa em que o temor das sanções sociais envolvia o amor homossexual, forçando-o à clandestinidade. O prazer é então recuperado em estado de nostálgica pureza, livre do medo ou remorso.


Para saber mais: Entre Cidades e Ruínas: a poesia neo-helênica, de Carolina Bernardes







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