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Sou doutora em Literatura. Escrevo há mais de 15 anos, mas sem disciplina. Sou aquela escritora que se guarda para o futuro, à espera de um grande acontecimento. Sinto que chegou a hora. É com retalhos e epopeias que me inventarei - com pequenos e grandes eventos - com fragmentos e grandes feitos - serei a tecelã de uma história e a sua heroína. Serei Penélope e Odisseu. Me acompanhe nesta viagem! Colunista da seção de Escrita Criativa na comunidade literária Benfazeja. Livros publicados: FLAUIS (2010) e RETALHOS E EPOPEIAS (Editora Patuá, 2012). Mais sobre mim em meu site oficial

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08 fevereiro, 2011

ÁGAPE SEM ASAS

Imagem: Carolina Bernardes


Atrás do móvel grande, a televisão esconde. Toca perfeita. Infinito labirinto de desova oca. Folha seca, graveto ligeiro. Etiqueta. Laço, fita. Espuma, papel, pena. Não foi o rato: Ágape roeu o livro. Edifício engenhoso, casa de barro do joão, teia trançada, formigueiro de abelha. Espuma, papel, fita, graveto no bico ligeiro. Passa correndo, sem asas, e escapa. Tijolo de mato sobre cimento de pena, rede lançada do pescador. Entrança a fita no mato, cisco de folha atado à pena ao vento. Primeira jornada, segunda jornada, terceira... incansável bico artífice entalha a caverna estéril. Os ovos se multiplicam e o móvel grande esconde a trapizonga. O rato não roeu o livro, o gato não comeu o pássaro: foi a preta peluda que, num lance certeiro, ágil como Ágape, tragou a fidelidade. Só o ninho, só as penas.
 
 
Imagem: Carolina Bernardes

5 Comentaram. Deixe seu comentário também!:

GIL ROSZA disse...

Essa estória poderia ter sido contada de várias maneiras, acho que escolheu a que costumo curtir bastante, ocultando o óbvio e dando à minha curiosidade a oportunidade de ler mais de uma vez para tentar entender. Minha mente nem sempre é tão ágil e certeira como a preta peluda, mas ela também gosta de fuxicar os cantos atrás de coisas, vasculhar gavetas!
Outra coisa que gostei é que você, talvez pra evitar a prosa prolixa, foi quebrando utilitariamente as sentenças em pedacinhos, picando tudo e condensando, não pra que coubesse atrás dum móvel grande, mas no espaço diagramado do blog.
Simplesmente duka!

Roseane disse...

Belíssimo texto! Você conseguiu fazer de uma história, aparentemente tão simples, emergir no poético. Conseguiu fazer emergir o milagre que é o nascimento de uma nova vida.

Parabéns!

Abraços!

CAROLINA BERNARDES disse...

Gil, picar as sentenças em pedacinhos corresponde à própria ação de Ágape. Uma tentativa de fundir conteúdo e forma.
Continue a fuxicar os cantos de meus textos.
Beijos

CAROLINA BERNARDES disse...

Roseane, obrigada pelo comentário. Infelizmente, essa vida que nasceu pela palavra foi apenas a impotente tentativa de fazer viver algo que já morreu. Abraços

Virgínia disse...

Lindo poema Carol, ótima foto! Me encantou! Fico boba com o talento de minha prima viu!!!Ainda mais de suas pequeninas, peixinhos crescendo igual a mãe. Parabéns, querida! beijinhos
saudades

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